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SOBRE EX-AMIZADES (E COMO É DIFÍCIL PEDIR DESCULPAS)

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Eu estava assistindo Peppa Pig com minha sobrinha de 10 meses. A Peppa e uma amiga (que, no momento, não me recordo qual, mas era um daqueles animais diversificados que fazem parte da escola da Peppa) haviam tido uma briga. E o pai da Peppa estava intermediando a situação. Nenhuma das duas queria se desculpar primeiro e ele fez com que elas pedissem desculpas ao mesmo tempo. “1, 2, 3….” ele disse. “Desculpa!” disseram as duas. “E agora vamos brincar”, concluíram, bem felizes. A situação se resolveu em menos de dois minutos.

Talvez essa comparação te pareça ridícula, mas nessa hora, não deu para evitar a vontade de ter acesso a essa simplicidade do desenho. Como eu queria que fosse assim: “1, 2, 3 e vamos pedir desculpas ao mesmo tempo”, e, com isso, eu tivesse de volta mais de uma amiga que eu perdi por causa de algum desentendimento do passado.

A briga sempre parece muito boba e ridícula no início, mas como nenhuma das partes consegue dar o passo inicial nas desculpas, a coisa vai se arrastando e, quando você vê, você não fala mais com aquela pessoa há meses (anos) e ela se tornou apenas alguém que você costumava conhecer. Uma pessoa que você fica sabendo das novidades da vida pela pior forma possível: através do Facebook. Como se você estivesse acompanhando de longe um filme que uma vez você fazia parte.

Se desse para as duas pessoas deixarem de lado toda a birra e fizessem “1, 2, 3, desculpa!”… vai dizer que você também não faria isso com alguém?

Não é simples como no desenho, você vai me responder. E eu sei que não. Provo que não, inclusive, com uma historinha recente. Tomada pelo espírito natalino da chegada de dezembro, mandei uma mensagem para uma ex-amiga do intercâmbio com quem não falo há mais de dois anos. Éramos muito próximas e brigamos pelo motivo mais tosco que duas mulheres podem brigar: por causa de um cara. Pensei “bom, vou tomar a iniciativa, dizer que o desentendimento foi ridículo e pedir desculpas pela minha parte da chincha”. Mandei textão. Bonito mesmo. Até com um ‘espero que você esteja bem e feliz’”. Sabem o que ela respondeu? Nada. VISUALIZOU e respondeu NADA. Vácuo. Vazio. Estou rindo alto enquanto conto essa história, mas não é para ser engraçado. “O que valeu foi a intenção”, me disse um amigo a quem contei o ocorrido (que riu também, não sem antes chamá-la de algo que não vou reproduzir aqui).

Então, não, não é simples como no desenho. Mas quem sabe, dependendo da pessoa, talvez a sua tentativa de desculpas acabe melhor do que a minha. Ou não, mas você só vai saber se tentar. Melhor tentar do que passar a vida toda pensando se “as pazes” poderiam ter ocorrido de você tivesse feito algo. Aproveite o fim do ano, época das boas vibes, e boa sorte! O pior que pode acontecer é um “visualizado e não respondido”. Mas daí… o importante foi a intenção, né?

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