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Amigo Secreto. Aceita, que dói menos.

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Todo final de novembro é a mesma coisa. Juntamente com o trabalho que se acumula, o salário que parece se esgotar ainda mais rápido e os caras vestidos de Papai Noel e boneco de neve no calorão em plena Julio de Castilhos, vem também uma famigerada tradição: o amigo secreto.

O amigo secreto é uma coisa que te é enfiada goela abaixo.  E é como a uva passa na farofa da ceia de Natal. Total e completamente desnecessária. No amigo secreto, você corre o risco de pegar o nome de alguém que você não conhece, ou não é tão íntimo, e não faz a menor ideia do que comprar. Ou pior, corre o risco de que essa pessoa te pegue e você acabe ganhando um presente inútil. E, quando digo inútil, me refiro ao real significado da palavra, como minha mãe que, certa vez, ganhou um cinzeiro de cristal. Sendo que ninguém aqui em casa é fumante. Ou uma prima, que ganhou um cactus. E um amigo, que abriu o pacote de presente e encontrou uma camiseta da firma da pessoa que o presenteou. Poxa, gente.

 

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Sim, existe uma coisa chamada livre arbítrio e você tem todo o direito de não querer participar. Dizer não e, com isso, cagar toda a logística da pessoa que provavelmente já tinha colocado seu nome no tal papelzinho e misturado junto com os outros. Azar.

Mas acontece que é ainda pior não participar. Falo pelas experiências que já vi (gostaria de dizer “das experiências que tive”, mas nunca tive coragem o suficiente para não participar de um). No dia da entrega, fica aquele climão, quando todo mundo já entregou os presentes, e o corajoso (porém julgado) que não participou está lá, com cara de paisagem, sem ter presente algum para segurar. Nessa hora, sempre vai ter aquela pessoa desagradável que vai falar:

“ESPERAAA, AINDA NÃO ACABOU, falta o fulano!”

“Nããão!” alguém mais desagradável ainda vai comentar. “O fulano NÃO QUIS participar, lembra?”.

“Ah…”.

Não vou defender a ideia de “Abaixo o amigo secreto” porque isso seria tão improvável de acontecer quanto pedir “Abaixo o Papai Noel vestido com roupas de neve num país onde o Natal tem temperaturas de 30 graus”. Muito difícil. Não vai mudar.

Então, para evitar aquele incômodo “Ah…é mesmo, ele NÃO QUIS participar”, se você é como eu, e também não curte muito essa tradição, vai por mim… é melhor entrar na onda. Aceita, que dói menos (como quase tudo na vida). Já reserve esse dinheirinho para gastar com o presente do amigo secreto e entenda que talvez você ganhe um presente bom, talvez não (a chance é 50/50). Faz parte da tradição de Natal. 

 

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Na pior das hipóteses, sempre existe a história do vô Mingo. Lembre-se dela. Certo Natal, depois de termos repetido a tal troca de papelzinho várias vezes na família, porque “alguém sempre tirava o próprio nome”, as coisas já estavam começando a ficar meio tensas e, algumas pessoas, impacientes. Até que, depois de umas quatro vezes, aparentemente, conseguimos, cada qual com seu papel.

Na noite da ceia, desvendamos os tais amigos-secretos e, no final, sobrou uma pessoa que não tinha dito nada. Nem entregue o seu presente, que estava lá, embrulhadinho, no colo dele. Meu avô.

Daí ele contou que para evitar a continuação daquele stress do dia dos papeizinhos, decidiu que não ia dizer que tinha retirado o próprio nome. E ficou bem quietinho todos aqueles dias. 

Não apenas pegou a si mesmo como presenteou a si mesmo. Com um litrão de whiskey Natu Nobilis.

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