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A beleza dos relacionamentos imperfeitos

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Tenho uma amiga que costuma dizer que estar em um relacionamento é sentir muito amor e muita raiva pela mesma pessoa. É sentir vontade de abraçar, beijar e amar. E, em outros momentos, e com a mesma intensidade, de mandar a pqp e ir embora (não importa para onde, desde que seja para longe). É perceber que a outra pessoa sente por você a mesma coisa e com a mesma intensidade: tanto os momentos “eu te amo, você é lindo”, quanto nos dias “eu realmente gostaria de ter um controle para te desligar agora, igual aquele episódio de Black Mirror, que a mulher bloqueia o cara”.

Pense na última vez que você andou de montanha-russa. Estar em um relacionamento é uma montanha-russa interminável. Tem algumas subidas empolgantes (que você joga os braços pra cima e grita “UHUUULL LET’S DO THIS”), algumas quedas muito bruscas (mais altas do que você realmente estava preparado), e, lá de vez em quando, uma linha reta de tranquilidade, para você tomar fôlego.

O que não me canso de falar pra todo mundo (falo pra família, falo pras amigas, falo quando apresento minha pesquisa) é que não dá para cair na armadilha do mundo de imagem que a gente vive hoje. Não dá, nem por um segundo, para esquecer que o que é postado nas redes sociais não é a realidade: é uma partezinha apenas da realidade (e uma partezinha BEM enfeitada). Parece óbvio dizer isso, mas hoje a gente vive num mundo que a felicidade é esfregada na nossa cara a toda hora, a cada post. E é óbvio que isso faz mal. Tanto para quem vê, que se sente na bad, quando para quem posta, que sente que tem que sustentar aquela imagem felizona que criou online.

Já entrevistei muitas pessoas solteiras que se sentiam mal vendo fotos de casais no Facebook: sentiam que a pressão para namorar, para casar, era ainda maior quando viam “que todo mundo estava namorando, se amando, casando, menos eu”. Esses solteiros não estão considerando (ou se lembrando) que o relacionamento não é só aquela foto, não é só aquele sorriso. Por isso defendo muito que não se deve levar as fotos das redes sociais a sério. Pensem no Instagram como um arquivo em branco, que cada um vai desenhando como achar mais bonitinho. Mas nunca como realmente é. É muito fácil esquecer dessa parte: que a vida tem altos e (muitos) baixos, e que o que o pessoal mostra na internet não é esse todo.

Quem vê a foto do casal sorrindo na internet não sabe a história toda por trás: da divisão de contas, da diferença de opiniões, da overdose de famílias, das vezes em que os dois se questionaram se estavam tomando a decisão certa, dos dias em que um (ou os dois) pensaram em sair batendo a porta.

Vemos muita gente que idealiza os relacionamentos: “só namoro se for de tal jeito, se a pessoa tiver tais características”. E nessa onda de pré-requisitos bem exigentes acabam não namorando nunca, porque né, gente, pessoa perfeita não existe. Todas vão ter alguma coisa (ou várias) que você não vai curtir. O lance é saber que dá para amar muito a pessoa mesmo sem ela ser 100% como você tinha idealizado. É saber amá-la mesmo naqueles dias em que ela te irrita. É saber ficar, quando tudo o que você queria era ir embora. Ta aí a verdadeira beleza de se relacionar. A beleza que Instagram nenhum nunca vai conseguir mostrar.

 

 

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