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A arte de cometer erros – e por que ninguém pode te impedir

menino

Por Valquiria Vita

valquiria@txtconteudo.com.br

 

Sabe quando teus amigos têm um plano, e você já sabe, mesmo antes de ser concretizado, que aquilo vai dar errado? São diversas as ideias ruins. Eu seria capaz de escrever um livro somente sobre elas (grande parte, ideias minhas também). E eles te contam, porque não basta terem uma ideia ruim, eles precisam passar isso adiante. E você fica com cara de “hmmmm”, mas, na sua mente, você já foi capaz de prever tudo o que vai acontecer. E sabe que ali vai dar uma merda.

Alguns exemplos de ideias claramente ruins, baseados em tragédias reais:

“Vou tomar mais uma tequila. Não jantei, mas foda-se!”

“Vou parar com o anticoncepcional!”

“Vou morar em outro país. Não tenho um real, mas lá eu dou um jeito”

“Vou ir para Buenos Aires. De ônibus!”

“Vou abrir uma empresa com meu ex. Nos damos tão bem!”

“Vou sair para jantar com minha ex, mas nada a ver, super de boa, só para conversar mesmo”

erro estupido

Note que grande parte das cagadas da vida jovem envolvem fazer algo relacionado a um ex. Eu sou uma grande embaixadora da causa “Não mantenha grandes contatos com seu ex. Especialmente contatos físicos.” Se há algo que eu possa ensinar com esse texto, que seja isso. Evite dramas. Mantenha-se afastado.

A questão, e o que tenho observado nos últimos anos, é que não adianta você dizer para esse amigo que ele vai cometer um erro. Assim como você também não escuta quando alguém tenta te dizer o mesmo. Essa é a beleza das cagadas da vida. A pessoa precisa errar, precisa quebrar a cara, para depois, quem sabe, aprender. Alguns não aprendem. É preciso descer a escada da balada rolando para lembrar de nunca mais tomar mais de uma tequila sem ter jantado. É preciso passar pela maior fossa da vida para entender que você, realmente, não deveria ter namorado durante o intercâmbio, porque a separação seria inevitável.

Pense nas coisas que você, definitivamente, não faz mais. Certamente não as faz porque teve alguma experiência ruim, que você precisou viver e se foder para nunca mais querer repetir — e não porque alguém te disse que aquilo seria uma má ideia.

Uma vez eu me frustrava quando via que meus amigos não ouviam os meus conselhos (sou geminiana e tenho necessidade de ser obedecida ouvida). Mas hoje em dia adotei essa postura mais desprendida. Mesmo sabendo que sou eu quem vai ter que ir lá e emprestar o ombro pro choro quando ele cair na real, ou segurar o cabelo na hora do vômito quando aquela bebida não cair bem.

Porque amizade é isso. Amizade é estar lá para ver o erro de perto, é consolar, é segurar o cabelo.  Mesmo que, lá no fundo, enquanto você faz tudo isso,  só o que você consegue pensar é na clássica: “Eu já sabia!”

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