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Todo mundo quer parecer jovem

UNITED STATES - CIRCA 1950s:  Woman styling her hair.  (Photo by George Marks/Retrofile/Getty Images)

Por Vinícius Augusto de Lima

 

Algumas pessoas acham engraçado quando posto no Facebook pequenos textos sobre minhas avós, principalmente pelo temperamento delas e a visão particular de mundo que elas possuem.

Eu defendo uma teoria: a geração dos nossos avós/bisavós (faço o cálculo dos 75 pra cima), é a última que ainda pode ser considerada, digamos, “genuína”. Eles não sofrem tanta influência de tendências de comportamento e propaganda. Mas não nos enganemos com o futuro. Eles são os últimos.

Inquestionavelmente, a cultura ocidental (tradicional e tristemente) só valoriza o jovem. O velho é considerado um peso no mundo devido à sua condição física, e por já não apresentar a mesma força, beleza e vigor. O mundo é dos jovens.

Muito se fala sobre ditadura da beleza, mas esse tema dá mais espaço a algo mais profundo: Existe também uma ditadura da juventude.

Hoje, cada vez mais temos que parecer jovens. Quem tem 70, parece ter 50 e poucos. Quem tem 30, parece estar na casa dos 20. E, num aspecto geral, em termos de geração, nossos pais foram pais antes do que a gente. Todo mundo quer parecer jovem. Ou, ao menos, tem que parecer. Deve aparentar.

Para as mulheres, a velhice é ainda mais difícil. A mulher que não pinta o cabelo é considerada desleixada, enquanto o homem grisalho é charmoso. Essa é só mais uma convenção social, quando a beleza é apenas UM dos tantos atributos que a natureza tem a oferecer. E isso não tem nada a ver com saúde. Tem a ver com vaidade. Os valores mudaram e, por óbvio, as vaidades também.

A ideia aqui não é julgamento, e sim, questionamento. Viver em sociedade é extremamente complexo. Só penso que cada pessoa merece ser feliz do seu próprio jeito, vivendo sem a necessidade de jogar as regras do jogo. E é justamente isso que mais admiro nesses senhores e senhoras de hoje. O significado de vaidade para eles reside em outra coisa. E eles aceitam muito mais a velhice (e, consequentemente, a morte).

Toda minha consideração a essa última geração autêntica.
Nós nunca vamos capturar esse espírito, essa vibe.
Essas rugas sabem muito.
E elas estão em extinção.

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